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29-Jan-2015 00:00 - Atualizado em 15/02/2017 11:56

Matéria do jornal Cruzeiro do Sul publica opinião do presidente Ruy Amorim

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O veto da presidente Dilma Rousseff à correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física vai aumentar a carga tributária para os trabalhadores, já que o índice aplicado será 4,5%, dois pontos abaixo da inflação oficial (IPCA) registrada ano passado, que foi de 6,41%. A medida provocou forte descontentamento por parte de representantes sindicais e da indústria, que fazem críticas ao chamado pacote de maldades anunciado recentemente pelo governo federal. Em Sorocaba, somente no segmento comercial, a mudança na tabela do IR irá atingir diretamente três mil trabalhadores, estima o Sindicato dos Comerciários. Já o Sindicato dos Metalúrgicos acaba de encomendar um estudo para definir o impacto que a nova tabela do IR terá no bolso dos contribuintes do setor. "Ainda não temos o número exato, mas é certo que essa correção abaixo da inflação representará prejuízos para os trabalhadores", considera o presidente Ademilson Terto da Silva.

Atualmente, quem recebe acima de R$ 1.787,78 já é obrigado a contribuir. Um trabalhador que tenha obtido aumento no ano passado igual ou superior a inflação e que, por isso, alcançasse essa faixa de renda ingressaria na base de contribuintes da Receita. Por isso, a correção é um mecanismo buscado para que a compensação do rendimento corroído pela inflação não seja sacrificado com o imposto. "Por um lado, nós lutamos para conquistar benefícios para os trabalhadores. Por outro, vem o governo tira e anula o que conseguimos", protesta Terto.

Caso a tabela do IRPF fosse reajustada em 6,5% (índice da inflação), muitos trabalhadores estariam isento, pois a obrigação só recairia sobre rendas acima de R$ 1.903,98. Com a correção de 4,5%, conforme espera a presidente, esse valor será reduzido para R$ 1.868,21, ou seja, mais trabalhadores serão alvos do Leão da Receita Federal.

"Nosso sindicato representa aproximadamente 50 mil trabalhadores de Sorocaba e região. Aproximadamente 40% desse total recebem menos que o piso da tabela, portanto, não pagarão imposto. Mas a maioria, de alguma forma será afetada por essa e outras medidas "neoliberais" tomadas pelo governo".

Para Terto, há outras formas de arrecadar mais, sem mexer no bolso dos trabalhadores. "Aos invés de cobrar imposto de quem trabalha, o governo deveria combater a sonegação, criar taxas para as grandes fortunas e cobrar imposto sobre remessas de lucro para o exterior", sugere o líder sindical.

"A não correção correta da tabela apenas gera aumento dos tributos e faz com que haja impacto maior nos rendimentos dos trabalhadores, fazendo com que permaneça a injustiça tributária", critica.

Doeu no fígado

"O governo está desmantelando os direitos dos trabalhadores. Essa última medida da presidente (veto ao índice de correção da tabela do IR aprovado pelo Congresso Nacional) "doeu no fígado" dos trabalhadores". Essa é a opinião do presidente do Sincomerciários, Rui Amorim, que representa aproximadamente 20 mil trabalhadores do comércio de Sorocaba e região.

De acordo com o representante sindical, a decisão do governo de não corrigir a tabela do IR no mesmo patamar da inflação oficial (IPCA) de 2014 pode ser considerado um "confisco".

"Ainda não temos números oficiais, mas pelo menos 15% dos trabalhadores do comércio que eram isentos, passarão a pagar imposto. Muitos deles também terão reajuste no valor pago por conta da do aumento da alíquota em alguns casos. Enfim, os efeitos serão nocivos ao bolso do trabalhador", reclama o presidente do sindicato.

Amorim lembra ainda que para muitos trabalhadores, o aumento salarial conquistado ano passado (2% acima da inflação) será anulado pela medida do governo. "Ano passado lutamos para conseguir reajuste de 8,5%. Agora, por intermédio de uma "canetada" o governo anula essa conquista, já que muitos trabalhadores que eram isentos vão pagar 7,5% de imposto".

Protesto

Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos quanto dos Comerciários de Sorocaba estarão presentes na manifestação marcada para hoje na avenida Paulista contra as medidas tomadas pelo governo. "Vamos levar pelo menos dois ônibus. O importante é mostrar que estamos unidos contra atos que atentam contra as conquistas dos trabalhadores", afirma Terto. De acordo com Rui Amorim, os comerciários também estarão presentes na manifestação com pelo menos 40 pessoas. "É um movimento de todas as centrais e estaremos presentes", garantiu.

Voo de galinha

Para o vice-diretor do Ciesp, Erly Domingues de Sillos, o "pacote de maldades" anunciadas recentemente, como a correção abaixo da inflação da tabela do imposto de renda, volta da Cide (imposto dos combustíveis), aumento da taxa de juros e outras medidas impopulares, se tornou necessário porque o governo não fez o "dever de casa". "Se neste momento está ocorrendo ajustes é porque houve desajustes no passado. Há algum tempo estão adotando ações paliativas, o que chamamos "voo de galinha". Não apresentaram um plano consistente e o resultado foi o enfraquecimento da economia. Agora, estão mais uma vez tirando dinheiro do mercado, já que os trabalhadores terão de pagar mais impostos e, consequentemente, terão menos dinheiro para consumir, o que pode manter a economia travada por mais um período. "Esperamos que a partir do segundo semestre esse cenário mude e o País volte a crescer", comentou o representante da indústria.

"O que podemos perceber é que os problemas já existiam e eram conhecidos pelo governo. Porém, as medidas só foram tomadas agora por conta do período eleitoral", complementou Syllos.

Cruzeiro do Sul