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24-Fev-2011 00:00 - Atualizado em 15/02/2017 11:49

O diálogo tem que continuar!

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O Presidente Lula projetou o Brasil no cenário mundial, conquistando avanços significativos no decorrer de sua política governamental. A Presidenta Dilma foi eleita graças à eficiência e popularidade do governo de seu padrinho político, e sua promessa eleitoreira de dar continuidade às políticas sociais e econômicas que alçaram o país noutro patamar. Dilma Rousseff assumiu seu compromisso com o povo, diante de temas como aumento do salário mínimo e das aposentadorias.

Contudo, nos deparamos com alguns obstáculos que pensávamos ter ultrapassado.

A Presidenta Dilma encontrou abrigo e apoio no movimento dos trabalhadores, por ser signatária de políticas que vão "ao encontro do trabalhador". E continuará a ter nosso apoio, se suas mudanças não provocarem perdas para os trabalhadores. É um equivoco dizer que a atualização da tabela do imposto de renda não tem nada a ver com o aumento do salário mínimo. Tanto o aumento do salário mínimo quanto a atualização da tabela do imposto de renda são políticas indivisíveis.

O salário mínimo é utilizado como base no aumento de diversos pisos salariais. Aumentar o salário mínimo sem atualizar a tabela do imposto de renda, significa que você aumenta o número de trabalhadores pagando imposto de renda, acarretando no confisco do aumento pela cobrança do imposto de renda na fonte. A prova desta equação é expressa por economistas e juristas que comprovam os fatos: desde 1995, há uma defasagem de quase 70% no valor mínimo da tabela do imposto de renda a ser tributado, o que tem gerado uma receita extra para o governo em torno de cinco bilhões/ano.

Jogar duro em relação ao aumento do salário mínimo, alegando contenção de despesas, é um discurso ultrapassado de patronos neoliberais da cartilha do FMI. Se você diminuir a renda do trabalhador, impede-se que haja uma diminuição do abismo social do país, porque haverá diminuição da arrecadação do próprio governo.

A fala inoportuna da Presidenta, justificada pela alegação de que, em governos passados, "nunca deram nem a inflação", não se sustenta, porque contém a negação em si mesma: o próprio fato dela ser a presidenta, é a prova que a população insatisfeita com os governos anteriores, votou no governo de oposição, justamente para fazer diferente.

Até aqui, muita retórica e pouca ação de quem se espera muito. E principalmente, está faltando diálogo. O diálogo precisa continuar sem interlocutores. Este foi o modelo que marcou o governo do Presidente Lula. Desejamos que o ex-presidente Lula sirva de exemplo para a atual Presidenta Dilma, e não somente um fantasma.

Sabemos também, da grande capacidade da atual presidenta em gerir a máquina pública, contudo a certeza só será ratificada quando as decisões administrativas necessitarem de um revestimento político para entrarem em ação.

De certo, ninguém consegue governar sozinho numa democracia, a menos que queira ter como companhia inseparável a eterna solidão, o que na política costuma ser fatal.

Danilo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical SP