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14-Mai-2011 00:00 - Atualizado em 15/02/2017 11:51

Preconceito que ainda intimida o trabalhador

Discriminação na hora da entrevista ainda existe, mas tem poucas denúncias pela vergonha de quem passa pela experiência

O pedreiro Adriano Pereira da Silva, 31 anos, há algum tempo passou por momentos de raiva e vergonha, ao procurar um emprego e ser questionado sobre o uso de um brinco. "Este tipo de discriminação não cabe mais nos dias atuais, seja porque a pessoa usa um piercing ou uma tatuagem", relatou. Casos como de Silva, de "preconceito velado" ainda ocorrem muito com quem busca um emprego hoje.

A grande maioria ainda deixa de registrar o caso, mas alguns procuram a Justiça. Recentemente, um grande banco do país, em Salvador, foi condenado por danos morais a pagar uma indenização de R$ 100 mil por proibir o uso de barba de seus funcionários. Na ocasião, o Ministério Público do Trabalho teve como base o artigo terceiro, inciso 4 da Constituição Federal, que proíbe preconceitos de raça, cor e idade.

A auxiliar de limpeza Fernanda Mariana de Oliveira, 28, disse que o preconceito é uma realidade nos dias de hoje, mas poucos reconhecem que ele existe. Valéria Leandro Rocha, 24, auxiliar de cozinha e Lucimar Alves, 32, educador, disseram que o preconceito é algo comum de ser visto. "A gente observa no comércio, nos shoppings que, se não tiver aparência e não se vestir bem, é difícil arrumar um emprego. Mas isso é um preconceito velado".

Desconhecimento
Em Sorocaba, poucos ainda procuram a Justiça para resguardar seus direitos, por desconhecimento ou medo. Para Gustavo Campanati, 37, advogado da Almeida Campanati, aos poucos essa situação está mudando. "As pessoas já estão despertando para se defenderem em caso de discriminação, que pode acontecer durante a seleção, ou com a pessoa já contratada, o que chamamos de assédio moral", diz.

"Neste caso, o empregado pode sofrer privações, isolamento em um setor, deixar de ganhar promoções, aumentos de salários e até chegar à demissão", conclui o advogado.

Segundo ele, Sorocaba já registrou casos de assédio moral. "Uma discriminação pode até ser configurada em um cartaz que pede moças e rapazes de ‘boa aparência'. Por isso, recomendamos que se procure o sindicato da sua categoria, o Ministério do Trabalho ou um advogado", diz Campanati.

Sindicato faz campanha para a integração maior de negros
Na linha oposta à discriminação no mercado de trabalho, o Sindicato dos Comerciários de Sorocaba e região vem realizando junto da federação do setor uma campanha inédita para uma inclusão maior dos negros em lojas e shoppings. "Incluímos na convenção coletiva uma cláusula onde pedimos mais vagas aos negros às empresas", diz. "Temos casos também de discriminação regional. Ficamos sabendo de uma pessoa que buscava uma vaga, esperou muito tempo e desconfiava da demora porque ela seria nordestina", explicou o presidente do Sincomércio, Ruy Queiroz de Amorim, 55.

O presidente do sindicato reconheceu que o preconceito ainda existe no setor, embora de forma velada. Mas segundo Amorim, poucas pessoas procuram o sindicato para esse tipo de questão, que configuram menos de 5% das reclamações.


Saber vender é fundamental
Basta somente uma boa aparência para se trabalhar no comércio, seja central ou no shopping? Não necessariamente. A resposta é de Tatiana Medeiros, 31 anos, selecionadora da Qualitas Humanus, especializada há dez anos em entrevistas e recrutamento de pessoas para as mais diversas áreas de trabalho da cidade e região. Tatiana entrevista diariamente dezenas de candidatos para outras dezenas de empresas de Sorocaba.

"Uma boa postura e uma boa aparência contam 20% em um contexto geral. São importantes, mas não são tudo para quem pretende trabalhar no comércio", explica a selecionadora. "Não adianta ser uma moça muito bonita e não saber vender, não ser comunicativa. As empresas procuram pessoas despojadas, que têm facilidade para se relacionar com o público. Esses ítens contam muito na seleção de um currículo", relata Tatiana.

Segundo a selecionadora, o vendedor ou vendedora "dos sonhos" de uma empresa precisa ter persuasão para convencer o cliente a comprar e, acima de tudo, gostar de vender. "Não adianta a menina ser linda e não conseguir vender. Um candidato ganha a preferência da empresa porque sabe tratar bem o cliente e é isso que a empresa quer", destacou.

Para ela, o uso dos chamados "adornos", como piercings e tatuagens, não influenciam diretamente na escolha do candidato.

Está na Constituição
Artigo 3º, inciso 4 da carta Magna do país proíbe preconceito de cor, raça e idade.

R$ 100 mil
é o valor da indenização que funcionários de um grande banco do país receberam ao ganhar uma ação por danos morais, por proibir o uso de barba dos seus funcionários.

Procure seus direitos
Especialistas recomendam que as vítimas procurem o sindicato ou um advogado.

Jornal Bom Dia