FECOMERCIÁRIOS CNTC União Geral dos Trabalhadores
Central de Atendimento: 15. 3212-7110
02-Jun-2020 00:00 - Atualizado em 04/06/2020 08:46
Reabertura do comércio

Reabertura do comércio em Sorocaba começa com grande movimento

O primeiro dia da reabertura parcial do comércio em Sorocaba teve grande movimento de pessoas e veículos na região central da cidade. Por volta das 10h30 desta segunda-feira (1º), havia filas na frente de várias lojas e muitos clientes não respeitaram o espaço de distanciamento entre eles.

Nas ruas do Centro, o movimento de veículos também foi grande. O transporte coletivo passou a operar com 50% da frota.

Praticamente todas as lojas do comércio central abriram segunda. O decreto municipal restringe o atendimento delas a 20% da capacidade, e por somente quatro horas — das 9h às 13h. Já as concessionárias, imobiliárias, escritórios e shopping centers têm horário de atendimento entre 15h e 19h. Todos os estabelecimentos devem adotar procedimentos de segurança como higienização dos ambientes e disponibilização de álcool gel 70%. O uso de máscaras continua obrigatório.

Em várias lojas, houve monitoramento na entrada para limitar a quantidade de pessoas em seu interior — mas isso provocou filas e aglomeração do lado de fora. Os lojistas colocaram marcações no solo para que os clientes respeitassem o distanciamento e reduzissem o risco de contaminação pelo novo coronavírus, mas nem todo mundo prestou atenção nisso e descumpriu a medida.

A reportagem também verificou que havia álcool em gel disponível em praticamente todo o comércio e a higienização de cestas de compras estava sendo feita em várias lojas. Porém, havia pessoas sem máscaras nas ruas, sendo que o seu uso permanece obrigatório em Sorocaba.

Os estabelecimentos também devem adotar medidas especiais visando à proteção de idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunodeprimidas. O funcionamento das praças de alimentação de shoppings e supermercados continuam proibidos. Esse detalhamento consta do decreto municipal publicado na sexta-feira (29), que segue as permissões do Plano São Paulo, instituído pelo Estado.

O plano estabelece cinco fases, com as 16 regiões administrativas do estado classificadas por cores, do vermelho — alerta máximo com funcionamento permitido somente aos serviços essenciais — ao azul, de abertura controlada, com todos os setores em funcionamento, mas mantendo medidas de distanciamento e higiene. Estes critérios foram fixados pelo Comitê de Contingência do Coronavírus.

Nas agências bancárias da área central o movimento também foi grande na manhã de ontem, com filas fora dos bancos e aglomeração de pessoas.

Opiniões
Para o relator da Comissão Especial de Acompanhamento da Covid-19 e presidente da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e Parcerias da Câmara de Sorocaba, o vereador Hudson Pessini (MDB), abrir o comércio por apenas quatro horas, como instituiu o Governo do Estado, “não é uma decisão muito sábia”, pois pode provocar superlotação nos shoppings e no transporte público. “Estamos fazendo o possível para que Sorocaba tenha uma atividade econômica responsável, com o devido respeito às normas de higiene e ao distanciamento social”, afirma Pessini. A Comissão do Covid-19 realizou mais de 20 reuniões com setores do comércio, segundo ele.

Para o presidente da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), Sérgio Reze, a retomada gradativa das atividades é vista com alegria e cautela. “É um misto de entusiasmo e preocupação. Devemos lembrar que estamos vivendo um momento de crise e é de extrema importância que os empreendedores e consumidores façam a sua parte, para que a cidade não regrida e volte ao estágio inicial da quarentena. É nosso dever se cuidar e proteger a saúde de todos, evitando aglomerações. Saiam de casa se for realmente necessário”, ressalta.

Compras e contas tiram população de casa
Com a reabertura parcial do comércio após quase dois meses de quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas aproveitaram para pagar contas e fazer compras nas lojas da região central de Sorocaba. A faxineira Maria Madalena Vieira, 76 anos, estava na fila em frente a uma loja de móveis para pagar o carnê do estabelecimento. Ela disse que ainda tinha que passar em outras lojas e não se intimidou com a quantidade de pessoas nas ruas.

“Eu não deixei de trabalhar porque preciso e não consegui pagar o carnê nem no banco e nem na lotérica. Então, aproveitei que abriu e vou pagar tudo”, conta.

O aposentado Benedito Martins de Oliveira, 75 anos, aproveitou que tinha uma consulta agendada para a manhã de ontem para passar pelo Centro. Ele disse que precisava comprar alguns produtos para a casa e por isso aguardou na fila, na entrada de uma loja, para fazer compras. Em frente ao estabelecimento comercial, na rua Álvaro Soares, havia duas filas: uma para o público geral e outra para idosos e público preferencial.

Apesar da quantidade de pessoas no Centro, Benedito disse que continua seguindo as medidas recomendadas de higiene e que só foi ontem fazer compras no comércio porque as lojas estavam abertas. “Como tive que sair para a minha consulta aproveitei para comprar alguns produtos que eu precisava, mas não pretendo ficar vindo todo dia”, disse.

Já nos shoppings de Sorocaba, o movimento foi mais tranquilo na tarde de ontem (1º). No Cidade, que fica na zona norte, algumas pessoas aguardaram a reabertura do shopping em frente da entrada principal. O Iguatemi Esplanada, que fica na divisa entre Sorocaba e Votorantim, reabre somente hoje (2).

Mudança de fase
O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, disse aos prefeitos das 16 regiões administrativas do Estado que serão necessários sete dias para uma avaliação de possível regressão de fase e 14 dias para possível progressão.

A informação foi repassada aos prefeitos na sexta reunião do Conselho Municipalista, realizada ontem (1º), no Palácio dos Bandeirantes, por videoconferência. A prefeita de Sorocaba, Jaqueline Coutinho (PSL), participou remotamente do evento.

Na reunião, os prefeitos expuseram suas questões acerca do Plano São Paulo. Jaqueline Coutinho já havia solicitado ao govenador João Doria para que Sorocaba passe do segundo para o terceiro nível na escala de flexibilização das atividades econômicas.

Atualmente, a cidade encontra-se na fase 2 (laranja), que permite a retomada de atividades imobiliárias, concessionárias de veículos, escritórios, comércio de rua e shoppings centers com capacidade de atendimento limitada a 20%. Na fase 3, pleiteada pela Prefeitura, Sorocaba teria liberado, também, o funcionamento de bares, restaurantes e similares, além de salões de beleza, com o aumento do percentual de atendimento para 40%.

Mas, ainda na semana passada, o secretário de Habitação do Estado, Flávio Amary, integrante do Comitê Econômico Extraordinário que construiu o Plano São Paulo em parceria com o Centro de Contingência do coronavírus, praticamente descartou o pedido de que a cidade fosse enquadrada em uma faixa mais branda. Ele enfatizou que a mudança de nível seguirá critérios técnicos, e não pressões políticas.

No encontro de ontem (1º), os prefeitos também questionaram pontos na flexibilização em geral, como a reabertura de restaurantes ao ar livre. O funcionamento de igrejas e celebrações religiosas, a realização de testes rápidos e a reabertura de academias foram outros temas levantados.

Jornal Cruzeiro do Sul